21

mar

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mar

A Desvirtualização da Terceirização

 A essência da terceirização visa trazer às empresas contratantes desenvolvimento econômico, especialização dos serviços, competitividade, busca de qualidade, controles adequados, aprimoramento do sistema de custeio, esforço de treinamento, e desenvolvimento profissional, diminuição do desperdício, valorização dos talentos humanos, agilidade das decisões, menor custo, maior lucratividade e crescimento.

“Trata-se em realidade de uma forma moderna de desenvolvimento comercial e industrial, de uma forma inteligente do empresariado enfrentar problemas e custos de produção, com utilização de componentes finais de sua atividade confeccionados e produzidos ou montados por outra empresa que não aquele fabricante do produto final” (FALCAO,1997).

 Cada segmento se especializaria na prestação de determinado serviço e a sinergia dos vários prestadores de serviços apresentaria o ideal empresarial vislumbrado no parágrafo acima. Porém, os que encontramos na realidade empresarial são contratantes de serviços terceirizados em busca apenas de diminuição de custos e especialmente buscam proteção de possíveis passivos trabalhistas, transferindo a outros empresários a aventura e o risco de ter funcionários legalmente formalizados de acordo com a legislação trabalhista vigente.

A Legislação Trabalhista da década de quarenta, não acompanhou a evolução empresarial de nosso país, muito se tem discutido nos últimos anos da reforma trabalhista e pouco se avançou. Criaram-se tantas regras, normas, regulamentos; tantos fatores de proteção ao trabalhador formal que se instalou a desproteção através da informalidade e do surgimento de empresas prestadoras de serviços sem condições administrativas e jurídicas de assumir o sério compromisso de ter empregados registrados, que em muitos casos para cada real que lhes é pago recolhe-se mais um aos cofres públicos, além é claro da possibilidade de o que foi acordado em convenções trabalhistas ser desconsiderado totalmente em demandas judiciais.

A Terceirização como ferramenta administrativa das empresas repercute de forma contundente no direito do trabalho, visto que além de promover substancial alteração na definição típica da relação de emprego, bilateral por natureza, pode redundar em grave precarização das condições de trabalho quando se visa unicamente diminuição de custos.

A atual legislação gera, para o empregador, um custo adicional equivalente a 103% da remuneração de cada funcionário.

“De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), para cada ponto percentual de redução do custo de impostos sobre a folha de pagamento, poderiam ser gerados 900 mil empregos formais direta e indiretamente.”

 Nesse cenário podemos facilmente entender o aumento vertiginoso no número de empregados de empresas terceirizadas. A terceirização pode ser considerada como uma das principais políticas de reestruturação organizacional, objetivando infelizmente, principalmente a redução de custos com a mão de obras e não a especialização dos serviços que é o principio basilar da terceirização. O professor Ciro Pereira da Silva assim definiu a Terceirização:

“A transferência de atividades para fornecedores especializados, detentores de tecnologia própria e moderna, que tenham esta atividade terceirizada como sua atividade-fim, liberando a tomadora para concentrar seus esforços gerenciais em seu negócio principal, preservando e evoluindo em qualidade e produtividade, reduzindo custos e ganhando competitividade.”

Observamos que a essência da terceirização não  é observada pelos empresarios ao fazerem as contratações, o que realmente importa é o corte de custos e despesas com a mão de obra, situação bastante compreensivel levando se em conta o custo dos encargos trabalhistas e sociais, e ainda a parcialidade da Justiça do Trabalho.

 

O que se espera, além da flexibilização das Leis Trabalhistas, que as convenções trabalhistas  quando devidamente representada pelas entidades sindicais representativas e interessados, seja respeitada, que exija-se das empresas contratantes de mão de obra terceirizada, especialização, tecnicidade e principalmente respeito aos direitos de seus empregados, para que isso seja possível os contratantes devem exigir das empresas contratadas não preço baixo, mas, todas as provas de sua situação financeira, juridica e técnica, não visando simplesmente a redução de custos. A terceirização hoje, é uma estratégia efetiva de sobrevivência, não só das organizações brasileiras, mas também, mundiais.

Mas não basta optar por este novo contrato de trabalho como uma alternativa de diminuir os encargos ou mesmo transferir ao terceiro os problemas que costumam causar entraves nos departamentos de recursos humanos do tomador. A contenção de despesas pode até vir a ser uma consequência deste processo, mas este é, por essência, um processo que visa: flexibilizar, dinamizar, adaptar e habilitar as empresas ao cenário mundial de globalização, sem perder de vista a realidade do Brasil.

O que se pretende é mostrar que a mão de obra terceirizada quando contratada com critérios deve ser tão prestigiada e amparada como os empregados de outras empresas, para isso, contudo, é necessário que se estabeleçam regras mais brandas na contratação da mão de obra. Não se defende aqui a exclusão de direitos a nenhum tipo de trabalhador, o que se defende é a possibilidade de negociação entre as partes e principalmente que a decisão de terceirizar serviços seja um decisão estratégica para crescimento e aperfeiçoamento. Técnica administrativa que possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de transferência, a terceiros, das atividades acessórias e de apoio ao escopo das empresas que é a sua atividade-fim e não a criação de sub- empresas que cria subempregos.

Postado por Mirian Bazote

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19

mar

Segurança – Comportamento

16

mar

14

mar

Gestão e Gestores de Segurança

A enorme competitividade entre as empresas, independente de seu ramo de atuação ou tamanho, além das incertezas e riscos naturais inerentes ao seu negocio e ainda o crescimento da violência, ascensão do crime organizado, desequilíbrio social e atuação abaixo do desejável  dos órgãos de segurança pública, as obriga a se organizarem e planejarem da forma mais eficiente possível todas as despesas e custos. Nesse contexto não se pode mitigar a segurança empresarial. Não se deve ver a segurança apenas como a protetora de pessoas e ativos, pelo menor custo possível e sim como ferramenta fundamental para agregar competitividade e estabilidade aos processos  empresariais.

A gestão da segurança deve ter uma abrangência muito maior, necessita ter uma visão macro do objetivo da empresa, ser inserida nas decisões estratégicas da organização, prevenindo todas as formas de perdas, desvios, fraudes e outras atitudes delituosas que possam prejudicar e até mesmo paralisar as atividades empresariais,  como se o Gestor de Segurança estivesse observando  a empresa do alto de uma escada, não se admitindo  profissionais responsáveis pela proteção e segurança fiquem  alojados em um canto obscuro da organização.

Profissionais que atuam na segurança sabem que não existe mais lugar para pessoas sem conhecimento avançado no assunto e utilizando equipamentos e técnicas não profissionais, estão se conscientizando da importância de se preparar para enfrentar os problemas impostos pela falta da segurança pública, crescimento assustador da violência urbana, pelos avanços tecnológicos e pelos diversos tipos de ilícitos e crimes que podem afetar o pleno desenvolvimento de uma empresa.

Como consequência dessa necessidade, surgiu há alguns anos o Gestor de Segurança, profissional que tem o papel importantíssimo de planejar e organizar segurança, prevenir riscos e reduzir prejuízos ou perdas, integrando todos os setores e recursos da empresa de forma planejada. Esse profissional deve ter visão sistêmica e totalmente atualizado as mudanças do mercado no qual atua.

Baseada na mesma necessidade apresentada pelo mercado carente de profissionais capacitados surgiram os cursos superiores de  Tecnólogos em Gestão de Segurança Empresarial oferecendo formação acadêmica em segurança empresarial, com o objetivo de  formar profissionais para gerir empresas e áreas de segurança patrimonial interna, terceirizada ou orgânica. Capaz de planejar, operacionalizar e controlar todas as atividades inerentes à segurança privada patrimonial. Por meio dos conhecimentos adquiridos nas atividades teóricas e praticas e preparado para a compreensão dos princípios gerais e dos fundamentos que norteiam a gestão empresarial dos recursos humanos e materiais.

O questionamento que faço é quanto ao curriculum acadêmico, sabe-se das diretrizes  básicas que devem ser seguidas por todos os cursos superiores exigidas pelo MEC, porém e as outras disciplinas, como os empresários do setor de segurança estão demonstrando suas necessidades empresarias aliadas a formação acadêmica. Como podemos efetivamente auxiliar a formação de Gestores de Segurança a partir das necessidades das empresas e não apenas para cumprimento de curriculum básico para preenchimento de carga horária. As empresas de segurança são os principais contratantes dessa mão de obra.

Em outros seguimentos em especial o industrial, criam-se parcerias  com as universidades para cursos que atendam suas necessidades, envolvendo a empresa, a universidade e os alunos.

O que se espera minimamente de um Gestor de Segurança que ele possa entre outras atividades:

Gerir departamento ou assessorar efetivamente, setores e áreas relacionadas à segurança patrimonial em Instituições Públicas e Privadas;

Atender e adequar as empresas à rigorosidade da legislação pertinentes ao segmento de segurança privada;

Elaborar ou assessorar efetivamente no  planejamento estratégico de segurança, que possua um mínimo de análise crítica dos indicadores da conjuntura socioeconômica, política da empresa contratante e de seus clientes;

Identificar e analisar de riscos envolvidos na atividade principal e de apoio das organizações com o objetivo de auxiliar na definição  de políticas de segurança e diretrizes que assegurem a continuidade dos negócios;

Elaborar ou assessorar projetos integrados de segurança física e eletrônica alicerçados em parâmetros técnicos e legais;

Aplicar as técnicas e conceitos adquiridos na universidade nas práticas de prevenção às perdas patrimoniais e no gerenciamento de crises e de riscos à integridade física das pessoas;

Identificar possíveis situações geradoras de Crises com a utilização método  de identificação, para  obter e aplicar os recursos necessários à antecipação, prevenção e resolução de uma crise.

Com as sugestões acima, repito, que é que se espera minimamente de um Gestor de Segurança, podemos concluir que o assunto segurança poderia exigir um curso de graduação e não apenas tecnologia,  tantas são as necessidades provenientes da complexidade das atividades. Se existem tantos profissionais dispostos a fazer um curso superior em segurança e apresentar maior empregabilidade no mercado, devemos de nossa parte como uma parte considerável dos contratantes, mostrar quais os nossos anseios quanto a esses profissionais que estão surgindo todos os anos com um diploma embaixo do braço.

 

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Mirian Bazote – Port Segurança.

“Segurança é prevenção; Prevenção é cuidado; Cuidado é habito!

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